7 Razões Pelas Quais a Apologética Moral Aponta para o Cristianismo

Os argumentos morais para a existência de Deus são geralmente empregados com o propósito de defender a afirmação de que Deus existe. Contudo, eles sugerem algo mais específico do que a existência de um mero “legislador universal”, ou um Deus genérico. É possível chegar a uma conclusão mais detalhada do que isso. O ponto é que esses argumentos são considerados evidências plausíveis de que o Cristianismo, em particular, é verdade.

Antes de iniciarmos a exposição, é necessário explicar outro ponto importante: não é verdade que somente pela apologética moral se possa deduzir os aspectos da revelação especial contidos no Cristianismo, de modo algum. Contudo, à luz do Cristianismo revelado, os argumentos morais para a existência de Deus apontam naturalmente em sua direção. A apologética moral apenas reforça aquele famoso questionamento oriundo da experiência moral comum e universal do ser humano, a de que “existe algo de errado com o mundo”. Contudo, não resolve o problema moral. Somente a revelação especial, através de Jesus Cristo, é capaz de solucionar o problema moral e a experiência moral comum e universal.

A exposição a seguir não é exaustiva, mas traz algumas boas razões para pensar que a apologética moral aponta em específico para o Cristianismo, isto é, para Jesus Cristo.

Jesus como fonte de toda moralidade

Em primeiro lugar, uma das grandes virtudes dos argumentos morais em favor da existência de Deus é que eles apontam não apenas para a existência de Deus, mas para um Deus de uma natureza particular: um Deus que é moralmente perfeito. A.C Ewing diz que a fonte da lei moral é moralmente perfeita. Essa noção é descrita de vários modos: todo bondoso, impecável, essencialmente bom, e assim por diante. E como seria se a toda bondade assumisse uma forma humana? Jesus é uma resposta poderosa para esse questionamento. A apologética moral funciona melhor quando é cristocêntrica.

A descrição do amor de Deus revela sua Trinitariedade

Em segundo lugar, a concepção de Deus como essencialmente e perfeitamente amoroso requer algum tipo de explicação. Essa explicação não poderia ser o tipo de ideia que nós fôssemos capazes de gerar por conta própria; nós dependemos de uma revelação especial para que essa explicação seja feita. Mas o Cristianismo nos fornece um relato da natureza divina que é trinitária por natureza. C. S. Lewis escreveu em Cristianismo Puro e Simples: “Todo mundo gosta de repetir a afirmação cristã de que ‘Deus é amor’. Mas essas pessoas parecem não notar que as palavras “Deus é amor” não têm significado real a menos que Deus contenha pelo menos duas Pessoas. O amor é algo que uma pessoa tem para outra pessoa. Se Deus fosse uma pessoa apenas, então antes que o mundo fosse criado, Ele não poderia ser amor”. A apologética moral funciona melhor quando é trinitária.

Uma cosmovisão particularmente transformadora

Em terceiro lugar, o Cristianismo tem um histórico comprovado de influenciar pessoas de quaisquer raças e etnias, e também de todos os contextos socioeconômicos, transformando radicalmente as vidas dessas pessoas. Em um livro, que narra as vidas espirituais de vários santos cristãos, chamado They Found the Secret, encontra-se essa descrição: “Do desencorajamento e da derrota, eles chegaram à vitória. Pela fraqueza e pelo cansaço, eles foram fortalecidos. Pela ineficácia e pela aparente inutilidade, tornaram-se eficientes e entusiastas. Esse padrão parece ser egocêntrico, com esforço próprio, aumentando a insatisfação interna e o desencorajamento externo, numa tentação de desistir de tudo, porque não haveria melhor caminho. Então, encontraram o Espírito de Deus para ser sua força, seu guia, sua confiança e companheira — em uma palavra, sua vida”. A apologética moral funciona melhor quando é individualmente transformadora.

Uma cosmovisão universalmente transformadora

Em quarto lugar, Paul Copan fala de um aspecto histórico da apologética moral: o papel histórico desempenhado por Cristo e seus devotos seguidores em promover justiça para todos. A moralidade também exige uma transformação cultural profunda. Copan cita os desenvolvimentos culturais específicos que tiveram origem na cosmovisão judaico-cristã, levando a criação de sociedades que são “mais propensas ao progresso do que resistentes a ele”. Entre esses desenvolvimentos, ele inclui a fundação da ciência moderna, a diminuição da pobreza através do mercado livre, igualdade de direitos para todos perante a lei, liberdade religiosa, sufrágio das mulheres, iniciativas em prol dos direitos humanos e a abolição da escravatura, entre outros tantos.

Jürgen Habermas, que não é cristão, escreve:

“O cristianismo funciona mais como fator de autocompreensão normativa da modernidade do que um mero precursor ou um catalisador dela. O universalismo igualitário — do qual surgiram as idéias de liberdade e solidariedade social — de uma conduta autônoma de vida e emancipação, a moralidade individual da consciência, dos direitos humanos e da democracia, são herdeiros diretos da ética judaica de justiça e da ética cristã do amor. Este legado, substancialmente inalterado, tem sido objeto de contínua apropriação crítica e reinterpretação. Até hoje, não há alternativa para ele. À luz dos desafios atuais do mundo pós-nacional, continuamos ainda assim a nos basear na substância dessa herança. Tudo o mais é só conversa pós-moderna”.

A apologética moral funciona melhor quando é culturalmente transformadora.

Uma cosmovisão que liberta e oferece propósito de vida

Em quinto lugar, o Cristianismo mantém a esperança de genuína transformação moral. A moralidade tem um padrão ao qual nenhum de nós consegue manter em todo o tempo, e também não há nada nessa moralidade que indique que devamos nos acomodar nessa situação ou nos descompromissar dela. A explicação final e correta da moralidade deve ser capaz de dar sentido às nossas aspirações de transformação moral radical e também à perfeição moral. O Cristianismo oferece, pela graça de Deus através da fé, esperança moral em vez de desespero moral, perdão e libertação da culpa, e a perspectiva de sermos totalmente conformados à imagem de Cristo, em quem não há sombra de falha. A ressurreição de Cristo nos oferece a cura tanto da morte como do pecado: uma vida abundante e eterna. A apologética moral funciona melhor quando é soteriológica — oferecendo perdão e transformação, assim como justificação e santificação.

Em sexto lugar, o Cristianismo nos dá princípios racionais para acreditar que a glória que está por vir não apenas superará os piores males deste mundo, mas definitivamente os derrotará. “Se a Bondade Divina é infinita, e se uma relação íntima com Ela é incomensuravelmente boa para as pessoas criadas, então conseguimos identificar um Bem grande o suficiente para derrotar quaisquer tipos de horrores”, diz a filósofa cristã Marilyn Adams. A apologética moral funciona melhor quando é escatológica.

Uma cosmovisão que justifica o valor intrínseco do ser humano

Em sétimo lugar, o Cristianismo dá razões convincentes para pensar que cada pessoa possua dignidade e valor infinitos. Ser amado por Deus, o próprio arquétipo de bondade — Seu amor por cada um de nós de forma diferente, mas por todos nós infinitamente — e o fato de nós termos sido feitos como pessoas à Sua imagem e semelhança, são indicativos de que nós possuímos mais valor do que podemos começar a imaginar. A humanidade não é valiosa apenas no seu coletivo, de acordo com o cristianismo. Ao contrário disso, cada pessoa é única e amada por Deus, e é alguém por quem Jesus sofreu e morreu. No livro de Apocalipse, para todo aquele que aceita o amor de Deus, uma pedra branca revelará um nome único para cada um — marcando sua relação distinta com Deus e sua vocação nEle (Ap 2:17). A apologética moral funciona melhor quando é universal.

Conclusão

Da mesma forma como um amontoado desorganizado de limalhas de metal se ergue em formação simétrica quando atraídas por um imã, a história correta que organizará o universo — o teísmo clássico do Cristianismo — consegue alinhar todas as evidências morais da experiência humana, permitindo que nós enxergássemos esse padrão universal.


Este é um texto adaptado de “Seven Reasons Why Moral Apologetics Points to Christianity”, no site Moral Apologetics.

Saulo Reis
Sobre Saulo Reis 40 Artigos
Diretor do Acrópole da Fé Cristã. Engenheiro de Computação por profissão; professor de Matemática por paixão; Teólogo por amor a Deus.

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