No Programa “Poucas Palavras”, feito pela Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia, o Rev. Augustus Nicodemus responde a um questionamento muito comum, cuja resposta servirá para elucidar esta questão: diante de tantas doutrinas e práticas diferentes entre as várias igrejas evangélicas, como diferenciar entre doutrinas divergentes e heresias?

Existe uma multiplicidade de igrejas, mas existe um núcleo comum de afirmações do cristianismo histórico que é partilhado por todas as igrejas. Esse núcleo comum seria composto por

  1. Crença na doutrina da Trindade: há um Deus que subsiste em três pessoas;
  2. Crença na divindade de Jesus Cristo, sendo Ele Deus e homem simultaneamente, representando a segunda pessoa da Trindade;
  3. Crença na morte sacrificial de Jesus Cristo pelos pecados do homem, e não para dar “exemplo” ou como se fosse um mártir;
  4. Historicidade da ressurreição de Cristo dos mortos após o terceiro dia, como evento literal e real;
  5. Crença na justificação do homem e na sua salvação apenas pela fé em Jesus, e não em qualquer obra ou mérito ou instituição humana;
  6. Crença na segunda vinda de Jesus, na qual se dará o julgamento final dos vivos e dos mortos;
  7. Crença na Bíblia como inerrante e inspirada por Deus.

Existem outros aspectos relacionados à existência da igreja e da vida cristã em que há divergências, mas esses aspectos não são caracterizados como “heresias”, mas sim “erros”. Heresias seriam ensinamentos que entram em contradição com os pontos nucleares da fé cristã. Diferenças doutrinárias que não afetem o núcleo não deveriam ser motivo para separação de irmãos na fé em Cristo, e esta é a razão pela qual é possível haver comunhão entre cristãos de diferentes denominações.

Um exemplo de heresia é o unitarianismo, que afirma a unicidade de Deus, negando a Trindade. Outro tipo de heresia é a ideia de que a salvação seja pelas obras, negando a salvação exclusivamente pela fé. O universalismo também é considerado uma heresia, afirmando que todos vão ser salvos pois negaria a salvação pela fé.

No entanto, é possível que um erro se torne um heresia. Se o “erro” é elevado à importância de considerar que alguém não seja salvo, então este ensinamento empurra questões secundárias para o núcleo da fé, tornando-se então herético.

Aqui abaixo está o audio do programa.


Saulo Reis
Saulo Reis

Diretor do Acrópole da Fé Cristã. Engenheiro de Computação por profissão; professor de Matemática por paixão; Teólogo por amor a Deus.

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